Big Oil apronta apostas offshore no Brasil

De Alexandra Alper24 setembro 2018
© marchello74 / Adobe Stock
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A Exxon Mobil, a Royal Dutch Shell Plc e outras empresas se reunirão na sexta-feira, possivelmente em seu último ataque ao cobiçado petróleo do Brasil por mais quatro anos, enquanto eleições amplas suscitam temores sobre as barreiras ao investimento estrangeiro.

O leilão no Rio de Janeiro por quatro blocos nas bacias de Santos e Campos ocorre apenas uma semana antes da eleição presidencial mais imprevisível de uma geração, que apresenta candidatos que podem tentar desacelerar o leilão de petróleo, rever legislação favorável ao mercado ou até mesmo recupere as áreas de petróleo já distribuídas.

"Eles podem tentar rever todo o processo de abertura (a indústria do petróleo) às companhias internacionais de petróleo", disse um executivo da indústria de serviços de petróleo, que não quis se identificar.

Atraídos pela geologia de classe mundial, o encolhimento de reservas em outros lugares e o aumento dos preços do petróleo, as empresas perderam muito dinheiro com o Brasil, maior produtor de petróleo da América Latina, para fechar suas participações em sua camada pré-sal, onde bilhões de barris de petróleo estão presos camada grossa de sal offshore.

A CNOOC da China, a Chevron Corp, a BP, a Equinor da Noruega e a Total da França também estão registradas para participar do leilão.

Seu interesse foi influenciado por políticas favoráveis ​​à indústria sob o presidente de centro-direita Michel Temer, incluindo o afrouxamento das regras que favoreceram fornecedores locais, a extensão dos adoçantes fiscais e a remoção da exigência de que a Petrobras blocos de pré-sal.

Temores de uma reversão de tais políticas devem encorajar grandes apostas na sexta-feira, de acordo com Edmar Almeida, professor de energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

"Será um leilão muito disputado", disse ele.

Jair Bolsonaro, candidato de direita à presidência, falou pouco sobre o setor petrolífero, embora, como deputado, tenha votado contra a facilitação do monopólio petrolífero da Petrobras. Ele divulgou a ideia de privatizar a Petrobras e indicou que defenderá uma abordagem favorável ao mercado se vencer.

No entanto, pesquisas de opinião indicam que um provável segundo turno em 28 de outubro seria uma disputa acirrada. Fernando Haddad, um acadêmico de esquerda que subiu para a segunda posição depois de um endosso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem uma visão muito mais nacionalista do setor.

Prometendo "recuperar o pré-sal para atender o futuro do povo brasileiro, e não os interesses das empresas internacionais", ele restauraria, segundo sua plataforma, exigências mais rigorosas para o uso de fornecedores locais.

Não está claro se Haddad também adotaria o compromisso de Lula de voltar a dar à Petrobras o direito exclusivo de operar os campos do pré-sal e diminuir o ritmo dos leilões do pré-sal.

Ciro Gomes, um ex-governador de esquerda em terceiro lugar, ameaçou congelar leilões e expropriar blocos já entregues.

Se Haddad ou Gomes vencerem, "podemos dizer adeus aos leilões", disse outro executivo da indústria de petróleo, que pediu para não ser identificado. "Eles querem renacionalizar tudo. Será um inferno", disse ele.

A perspectiva de outra mudança na política de petróleo já está frustrando as autoridades.

"Nosso país precisa parar de perder oportunidades. Parece que não temos senso de urgência", disse o diretor-geral da ANP, Decio Oddone, em evento no Rio de Janeiro, na segunda-feira.

"Estamos cheios de recursos naturais, mas não os exploramos ... Discutimos se devemos explorar petróleo e gás ou não, como se não precisássemos dele."

Oddone prometeu terminar seu mandato como chefe da ANP até 2020, não importa quem vença a eleição.

Os lances mais ferozes desta semana devem ser para os blocos Tita e Saturno na bacia de Santos, que foram retirados por um tribunal de um leilão anterior em março, desapontando a Exxon.

Tanto o Pau Brasil, na bacia de Santos, quanto o Sudoeste da Tartaruga Verde, na bacia de Campos, não receberam lances em um leilão no ano passado. Mas, desta vez, a Petrobras exerceu seu direito de preferência na licitação do bloco Tartaruga Verde, adjacente a uma área que já possui.

De acordo com as regras brasileiras, a Petrobras pode expressar interesse antecipado em operar um bloco no qual controlaria pelo menos uma participação de 30%, embora ainda possa concorrer em outros blocos no dia do leilão.

As empresas competirão comprometendo a maior parte do petróleo - subtraindo custos indiretos - ao governo, com um mínimo de 9,5% a 35%.


(Reportagem de Alexandra Alper; reportagem adicional de Marta Nogueira; edição de Christian Plumb e Rosalba O'Brien)

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