Calma nos mercados de petróleo pode ser de curta duração -IEA

De Dmitry Zhdannikov10 agosto 2018
© think4photop / Adobe Stock
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Os mercados de petróleo entraram em um breve período de calma, mas uma tempestade pode se aproximar ainda este ano, quando novas sanções norte-americanas estão prestes a reduzir o fornecimento de petróleo iraniano, disse a Agência Internacional de Energia nesta sexta-feira.

"O recente esfriamento do mercado, com a flexibilização da oferta de curto prazo, preços atualmente mais baixos e menor crescimento da demanda, pode não durar", disse a IEA, que supervisiona as políticas energéticas das nações industrializadas, em um relatório mensal.

Os preços do petróleo subiram perto de US $ 80 por barril, o maior desde 2014, devido à escassez de oferta, mas esfriaram nas últimas semanas, quando a Líbia recuperou alguma produção perdida e Washington sinalizou que poderia dar aos compradores asiáticos de petróleo iraniano algumas isenções de sanções para o ano que vem.

No entanto, os Estados Unidos disseram que ainda estão tentando forçar os clientes de petróleo do Irã a parar completamente as compras no longo prazo.

O Irã é o terceiro maior produtor da Opep, com uma produção de cerca de 4 milhões de barris por dia (bpd) ou 4% da oferta global.

"À medida que as sanções petrolíferas contra o Irã entrarem em vigor, talvez em combinação com problemas de produção em outros lugares, a manutenção da oferta global pode ser muito desafiadora e custaria a manutenção de uma reserva de capacidade adequada", disse a AIE.

A Arábia Saudita, arqui-inimigo do Irã e aliado próximo de Washington, prometeu uma intervenção para evitar qualquer escassez de oferta.

A Arábia Saudita está produzindo cerca de 10,4 milhões de bpd e poderia, em teoria, aumentar a produção para acima de 12 milhões de bpd.

Mas tal medida deixaria o mundo praticamente sem capacidade ociosa para amortecer possíveis interrupções no fornecimento em países produtores como Líbia, Venezuela ou Nigéria.

"Assim, a perspectiva de mercado poderia ser muito menos calma do que é hoje", disse a IEA, com sede em Paris.

Além do medo da oferta, os preços do petróleo estão sendo sustentados por um crescimento saudável da demanda, que vem surpreendendo repetidamente o lado positivo nos últimos anos, apesar da recuperação dos preços.

A AIE manteve sua previsão de crescimento da demanda por óleo em 2018 inalterada em 1,4 milhão de bpd, mas elevou sua previsão para 2019 em cerca de 110.000 bpd, para 1,49 milhão bpd.

"Outro fator a considerar é que as tensões comerciais podem aumentar e levar a um crescimento econômico mais lento e, por sua vez, à menor demanda por petróleo", disse a AIE, referindo-se a uma disputa comercial entre os Estados Unidos e a China.


(Reportagem de Dmitry Zhdannikov; Edição de Dale Hudson)

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