EUA dão mais tempo à Chevron na Venezuela

Por Timothy Gardner e Makini Brice22 outubro 2019
© Phaitoon Sutunyawatchai / Adobe Stock
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O Departamento do Tesouro dos EUA renovou na segunda-feira uma licença permitindo que a Chevron, a última empresa de energia em operação na Venezuela, continue perfurando o país por mais três meses até 22 de janeiro.

A licença tem sido objeto de intenso debate dentro do governo Trump, enquanto prossegue uma campanha para derrubar o presidente socialista Nicolas Maduro. Sua renovação representou uma vitória de alguns membros do governo, como o secretário de Estado Mike Pompeo, que vê a manutenção de uma empresa norte-americana na Venezuela como um ativo que pode levar a uma rápida recuperação após qualquer destituição de Maduro.

Outras autoridades do governo Trump acreditam que permitir que a Chevron permaneça resulta na produção de petróleo que ajuda a manter Maduro no poder, permitindo que ele pague dívidas. Vários funcionários do governo são a favor de permitir que a licença expire mesmo depois que o ex-assessor de segurança nacional de Trump, John Bolton, que havia sido um oponente da licença, renunciou no mês passado.

Os executivos da Chevron "permanecem focados em nossas operações comerciais básicas e apoiam as mais de 8.800 pessoas que trabalham conosco e com suas famílias", disse o porta-voz Ray Fohr. A empresa está revisando os termos da licença mais recente.

A renovação efetivamente não adiciona novas restrições, de acordo com uma revisão de licenças anteriores.

A Chevron está na Venezuela há quase 100 anos e tem cerca de 300 funcionários diretos lá. Suas joint ventures com a empresa estatal de petróleo PDVSA apoiam cerca de 8.800 pessoas. Os empreendimentos produzem o equivalente a cerca de 200.000 barris por dia de petróleo, e a participação da Chevron recentemente média de cerca de 34.000 bpd, informou a empresa.

Em janeiro, os Estados Unidos impuseram sanções à petroleira estatal venezuelana PDVSA, em um esforço para derrubar Maduro. Mas emitiu à Chevron uma licença de seis meses para operar, que foi renovada por dois períodos de três meses.

A produção de petróleo no país da OPEP caiu de mais de 2 milhões de bpd em 2014 para pouco mais de 1 milhão de bpd até o final de 2018, resultado de preços mais baixos e o que os críticos dizem ser anos de subinvestimento e má gestão. Apagões e sanções dos EUA aceleraram o colapso: o país agora produz apenas 600.000 bpd.

O Departamento do Tesouro disse que a licença não autoriza transações relacionadas a remessas de diluentes, que a Venezuela precisa para diluir seu óleo pesado para processamento.

A licença também abrange as empresas de serviços de campo de petróleo Halliburton Co, Schlumberger, Baker Hughes da GE e Weatherford International. Todos interromperam amplamente as operações na Venezuela por causa da instabilidade.

"A oferta de reeleição para 2020 do presidente Donald Trump pode dificultar futuras extensões", disse Kevin Book, analista da ClearView Energy Partners. "A Casa Branca pode ver uma posição forte contra Maduro como uma maneira de atrair os eleitores latinos".


(Reportagem de Timothy Gardner, Makini Brice, Jennifer Hiller e Luc Cohen; edição de Cynthia Osterman)

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