O próximo CEO da Petrobras já trabalha dentro da empresa

Por Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier7 dezembro 2018
© Donatas Dabravolskas / Adobe Stock
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O próximo CEO da Petróleo Brasileiro SA já está trabalhando dentro da estatal brasileira de petróleo e conversando com funcionários sobre planos de negócios, disseram quatro fontes à Reuters.

Roberto Castello Branco, nomeado pela equipe econômica do presidente eleito Jair Bolsonaro para assumir o comando da Petrobras, deve assumir o cargo de diretor executivo no ano que vem, aguardando a aprovação da diretoria da empresa.

No entanto, as fontes, que falaram sob condição de anonimato, disseram que Castello Branco já tinha acesso a documentos internos e participaram das discussões sobre o novo plano estratégico de cinco anos da Petrobras, que foi divulgado na quarta-feira. Ele não fez nenhuma mudança.

O jornal brasileiro O Estado de S.Paulo informou na quinta-feira que Castello Branco provavelmente faria mudanças no plano uma vez em seu novo cargo.

As fontes disseram à Reuters que Castello Branco também estuda movimentos como a privatização da unidade de distribuição de combustíveis BR Distribuidora SA, um sinal de que ele está ansioso para avançar com projetos recebidos pelos investidores.

Castello Branco havia dito anteriormente ao Estado de S.Paulo em uma entrevista que a BR Distribuidora não era um ajuste natural para a empresa e não gerava retornos, enviando suas ações aumentando nas expectativas de que a participação do governo de 70% pudesse ser vendida.

Alguns funcionários da Petrobras estão irritados com o envolvimento de Castello Branco nos assuntos da empresa, em um momento em que ele ainda não tem um posto formal, disseram as fontes.

No entanto, uma das fontes disse que a presença de Castello Branco na empresa não contraria nenhuma diretriz de governança. Ele estava aprendendo sobre os mecanismos internos da Petrobras, conversando com a equipe e preparando-se para o novo cargo, disse a fonte.

"É o mesmo em Brasília, onde eles têm uma equipe de transição (governamental)", disse a fonte. "Ele está trabalhando na transição."

Um representante da Petrobras se recusou a comentar. Castello Branco não respondeu a um pedido da Reuters para comentar.

Castello Branco recentemente participou da demissão de um funcionário associado ao Partido Trabalhista (PT) do Brasil por insistência da equipe de Bolsonaro, disse uma das fontes.

Bolsonaro culpou publicamente o PT por níveis vertiginosos de corrupção em empresas estatais como a Petrobras.

Contatada pela Reuters, a chefe de segurança e inteligência da Petrobras, Regina de Luca, confirmou que ela foi demitida, mas disse que não atuava mais politicamente.

De Luca serviu como secretário de segurança pública da ex-presidenta do PT Dilma Rousseff, que foi impedida em 2016 de infringir as regras orçamentárias.

A demissão, que mostra o complicado território político em que Castello Branco está entrando enquanto se prepara para assumir as rédeas da Petrobras, contrasta com as políticas do ex-presidente da Petrobras Pedro Parente, que insistia que política e negócios não deveriam ser misturados correr firme.


(Reportagem de Gram Slattery Editing de Tom Brown)

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