Venezuela libera executivos da Chevron desde abril

Postado por Joseph Keefe7 junho 2018
A Venezuela libertou dois executivos locais da petrolífera americana Chevron Corp, presa desde meados de abril, durante uma investigação de corrupção no setor de petróleo, informaram autoridades e a companhia na quarta-feira.
As prisões de Carlos Algarra e René Vasquez por agentes de inteligência nos escritórios da Chevron em Puerto La Cruz assustaram outras empresas estrangeiras que operam no país da OPEP em parceria com a estatal petrolífera PDVSA.
"Eles estão livres", disse o escritório da promotoria em um email à Reuters, acrescentando que ambos receberam condições alternativas não especificadas para a prisão.
A Chevron informou em comunicado que seus dois funcionários foram liberados na quarta-feira, acrescentando: "Nossos colegas estão bem de saúde e estão reunidos com suas famílias".
Uma fonte próxima à Chevron disse que os dois venezuelanos devem se reportar às autoridades a cada 15 dias.
As prisões foram as primeiras em uma empresa petrolífera estrangeira desde que o governo lançou uma limpeza no ano passado que resultou na detenção de mais de 80 executivos da Petroleos de Venezuela SA e parceiros.
No rescaldo, a Chevron evacuou outros funcionários.
Mas o governo do presidente Nicolas Maduro, condenado pelo Ocidente e pelas principais nações latino-americanas pela reeleição em 20 de maio, que os críticos dizem ser uma ditadura de farsa, tem tentado projetar uma imagem mais benigna nos últimos dias.
Ele libertou dezenas de ativistas anti-Maduro no fim de semana.
O ministro das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, reiterou na quarta-feira os apelos para o diálogo com o governo dos EUA, que impôs sanções destinadas a pressionar o governo socialista.
Os dois funcionários da Chevron estavam enfrentando possíveis acusações de traição por se recusarem a assinar um contrato de peças para uma joint venture com a PDVSA, disseram fontes.
A Chevron, a sétima maior produtora mundial de petróleo, com receita de US $ 135 bilhões em 2017, opera na Venezuela principalmente através de participações minoritárias em cinco projetos.
A empresa tem cerca de 150 funcionários em sua sede em Puerto la Cruz e tem mais dois escritórios no país. Seus ganhos da Venezuela caíram 18% no ano passado, para US $ 329 milhões, segundo documentos oficiais.
As prisões marcaram uma escalada de tensão entre a PDVSA e empresas estrangeiras em relação ao controle de contratos de fornecimento e à governança das joint ventures, disseram fontes à Reuters.

A Venezuela está mergulhada em uma grave crise política e colapso econômico, com a produção de petróleo em declínio e o setor em caos em meio a corrupção, fuga de cérebros e sanções financeiras dos EUA tornando os embarques e transações cada vez mais difíceis.

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